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A IA Escreveu o Código. Mas Quem Desenhou a Experiência?

IA e experiência do usuário: o que eu revisaria em um site para tornar formulários, mensagens e navegação mais claros para quem vai usar.

4 min de leituraSabrina Mesquita
A IA Escreveu o Código. Mas Quem Desenhou a Experiência?

Quando penso em IA e experiência do usuário, uma situação me chama atenção: a página está montada, os botões aparecem, o formulário abre e parece que o trabalho terminou. Mas alguém já tentou usar aquilo para resolver o que precisava?

Eu uso IA no meu trabalho e gosto de poder testar uma ideia sem passar tanto tempo montando a primeira versão. Só que, quando olho para o resultado, minha revisão vai além de conferir se ficou parecido com o que pedi.

Quero saber se a pessoa entende o que está vendo, encontra o que precisa e consegue continuar sem ficar adivinhando.

O formulário funciona. Mas precisava perguntar tudo isso?

Imagine alguém entrando no seu site para pedir um orçamento. Antes de explicar o que precisa, encontra campos para nome completo, telefone, empresa, cargo, endereço e uma lista de perguntas obrigatórias.

O formulário pode enviar os dados corretamente. Ainda assim, eu perguntaria: quais dessas informações são necessárias neste primeiro contato?

Se o endereço só será usado depois de fechar o serviço, talvez ele possa ficar para outra etapa. Se o cliente ainda não sabe qual solução contratar, obrigá-lo a escolher uma opção técnica pode dificultar a conversa.

Essa decisão precisa considerar como o negócio atende e o que o cliente consegue responder. Gerar os campos é uma parte do trabalho. Decidir quais devem estar ali exige conhecer o processo.

O que acontece depois do clique?

Uma tela pronta costuma mostrar tudo no melhor cenário: conteúdo carregado, campos preenchidos e pedido concluído. Eu gosto de olhar também para os momentos em que alguma coisa foge desse caminho.

A pessoa toca em “Enviar” e nada muda. O pedido foi recebido? A internet caiu? Precisa tocar de novo?

Ou aparece “Ocorreu um erro”, sem explicar onde nem o que fazer. Se, além disso, o formulário apaga o que já foi escrito, uma tentativa simples vira retrabalho.

Na revisão, eu verificaria o carregamento, a confirmação, as mensagens de erro e a preservação dos dados quando for adequado. A pessoa precisa conseguir entender o que aconteceu e como continuar.

Uma página bonita pode deixar perguntas sem resposta

Eu gosto de um visual bem cuidado. Tipografia, cores, imagens e movimento fazem parte do meu trabalho. Mas, enquanto desenho, também preciso olhar para a informação.

Pense em uma página de agendamento. Ela tem boas fotos e um botão em destaque, mas não explica a duração do atendimento, se ele é online ou presencial, nem o que acontece depois da reserva.

Antes de acrescentar outro efeito, eu resolveria essas dúvidas. O cliente precisa saber o que está escolhendo.

O mesmo vale para uma loja. Uma foto pode chamar atenção, mas talvez a pessoa precise ver o interior de uma bolsa, consultar uma medida ou entender o prazo de entrega. O layout deve abrir espaço para essas respostas.

Como eu usaria IA na revisão da experiência do usuário

A IA também pode participar dessa revisão. Posso pedir alternativas para uma mensagem, explorar outra organização de conteúdo ou levantar situações que precisam ser testadas.

Mas preciso fornecer contexto e avaliar as sugestões. Quem usa esse produto? O que veio fazer? Quais informações já tem? Onde pode ficar em dúvida?

Uma sugestão pode parecer boa e não combinar com o atendimento da empresa. Por exemplo, simplificar um agendamento retirando uma pergunta que a equipe realmente precisa responder antes de confirmar a reserva.

Por isso, eu trataria a resposta da ferramenta como uma proposta para examinar. Depois, verificaria o fluxo e observaria pessoas tentando realizar a tarefa. Isso ajuda a encontrar dificuldades que não ficaram claras durante a criação.

O que eu conferiria antes de colocar no ar

Escolheria a ação mais importante do site, como pedir orçamento, comprar ou agendar, e faria o percurso completo. Algumas perguntas orientariam essa revisão:

  • A primeira tela explica o que a empresa oferece?
  • O botão deixa claro o que vai acontecer?
  • As perguntas do formulário fazem sentido naquela etapa?
  • As mensagens ajudam a corrigir um erro?
  • É possível navegar com teclado e identificar o foco?
  • No celular, dá para ler, selecionar opções e concluir a ação?
  • A confirmação explica o próximo passo?

Esse percurso não substitui todos os testes de um projeto, mas ajuda a enxergar a entrega pela tarefa que alguém precisa realizar. Também evita limitar a revisão a uma captura de tela bonita.

É essa revisão que eu considero parte da entrega

Como trabalho com design e desenvolvimento, olho tanto para a organização da interface quanto para o comportamento dela. Se uma informação demora a chegar, por exemplo, preciso pensar no que a tela mostra durante a espera.

Usar IA pode ajudar a adiantar partes desse trabalho. Eu aproveitaria esse tempo para testar melhor o que foi construído, esclarecer informações e corrigir os pontos que tornam o uso confuso.

Se você já tem um site ou uma primeira versão feita com IA e sente que alguma coisa ainda não funciona bem, pode me mandar o link e contar onde está a dificuldade. Meus projetos e canais de contato estão em sabrinamesquita.dev.

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