Levar um projeto do Figma para site pode parecer uma tarefa bem definida: o design está pronto, então agora alguém precisa desenvolver.
Até começarem as perguntas. Quem vai editar as páginas? Como o menu funciona no celular? Para onde o formulário envia os contatos? A ferramenta de agendamento está incluída no valor?
Como trabalho com UI/UX e desenvolvimento, gosto de esclarecer esses pontos antes de estimar um projeto. Eles influenciam o prazo, o orçamento e o que você conseguirá fazer depois da publicação.
Quantas páginas existem e quantas estruturas são diferentes?
Um site com dez páginas pode representar trabalhos bem diferentes.
Podem ser dez páginas com layouts próprios. Ou uma página inicial, uma página de contato e oito páginas de serviços que compartilham a mesma estrutura.
O orçamento precisa explicar quais layouts serão desenvolvidos, quais poderão ser reutilizados e quantas páginas serão preenchidas antes da entrega.
Se houver um blog, por exemplo, vale esclarecer se estão incluídos a listagem de artigos, o modelo de cada publicação, as categorias e a inclusão de textos existentes.
Escrever apenas “blog incluído” deixa muita coisa aberta. Uma definição mais concreta ajuda os dois lados a entender o trabalho.
O que acontece entre as telas desenhadas?
Uma tela de computador e outra de celular mostram dois exemplos. O site também precisa funcionar nas larguras intermediárias.
Pense em uma sequência de cartões de serviços. Em que momento ela passa de três colunas para duas? O que acontece quando um título ocupa três linhas? Todos os cartões continuam fáceis de ler?
Também é necessário definir o comportamento de menus, formulários e seções que abrem ou fecham.
Um formulário, por exemplo, precisa considerar campos vazios, envio em andamento, confirmação e erros. A tela preenchida corretamente representa apenas uma parte desse funcionamento.
Essas decisões podem vir documentadas no design ou ser resolvidas durante o desenvolvimento. O importante é que exista espaço para esse trabalho no escopo.
O que você precisa conseguir editar?
Quando alguém pede um site editável, eu gosto de entender como serão as atualizações na prática.
Trocar um título é diferente de criar uma nova página de serviço. Substituir uma foto é diferente de reorganizar todas as seções.
Uma empresa imobiliária, por exemplo, pode precisar adicionar páginas de regiões atendidas, atualizar informações sobre bairros e alterar os dados de contato. Isso pede uma estrutura de conteúdo que facilite essas tarefas.
Uma lista das atualizações mais frequentes ajuda a definir o CMS, que é o sistema usado para administrar o conteúdo.
Eu também acho útil testar a edição de uma página real antes de construir o restante. Assim fica mais fácil perceber se os campos são claros e se o responsável pelo site consegue trabalhar com eles.
Quais integrações precisam funcionar?
O Figma pode mostrar um calendário, uma busca de imóveis, um botão de pagamento ou um formulário de newsletter. Cada um desses elementos depende de alguma implementação.
Para cada integração, eu esclareceria:
- Qual ferramenta será utilizada e quem administra a conta.
- Se será necessário contratar um plano ou fornecer credenciais.
- O que o visitante precisa conseguir fazer.
- Quais informações precisam passar de um sistema para outro.
- Quais partes da aparência podem ser personalizadas.
Esse último ponto merece atenção. Uma ferramenta externa pode ter limitações de tamanho, estrutura ou estilo.
Prefiro conferir isso antes de prometer uma reprodução exata do design. Quando existe alguma restrição, é possível discutir uma solução adequada enquanto o projeto ainda está sendo planejado.
Quem fornece os textos e as imagens?
Alguém precisa escrever o conteúdo final, selecionar as imagens e confirmar que elas podem ser utilizadas no site.
O orçamento deve explicar se o preenchimento está incluído e como serão tratadas mudanças de conteúdo depois do início do desenvolvimento.
Textos reais podem alterar a composição. Um nome de produto maior, uma explicação mais detalhada ou uma tradução podem precisar de espaço diferente do previsto.
Se o site tiver vários idiomas, também é importante definir quais páginas serão traduzidas, quem entrega as traduções e como o visitante acessa cada versão.
Nas imagens, vale combinar o comportamento dos recortes. Uma fotografia bem posicionada em uma tela do Figma precisa continuar fazendo sentido quando a largura do navegador muda.
Os testes e a publicação estão incluídos?
Antes de aprovar a proposta, veja como será feita a revisão e quem ficará responsável por colocar o site no ar.
Eu incluiria a verificação dos principais caminhos do visitante, dos formulários, dos links, das diferentes larguras de tela, da navegação por teclado e das tarefas de edição combinadas.
Também precisa estar claro quem cuida dos acessos à hospedagem, da configuração do domínio, dos endereços antigos e das ferramentas de análise, quando fizerem parte do projeto.
Essas responsabilidades existem mesmo quando não aparecem no arquivo de design.
Outro ponto é o período após a publicação. Como serão corrigidos problemas encontrados? O que será considerado ajuste do trabalho entregue e o que será uma nova funcionalidade?
Como comparar os orçamentos?
Antes de comparar os valores, confira as entregas.
Uma proposta pode incluir modelos editáveis, preenchimento de conteúdo, integrações e acompanhamento da publicação. Outra pode cobrir apenas a implementação visual das páginas.
As duas podem atender a necessidades diferentes. Mas não representam o mesmo trabalho.
Uma proposta clara deve mostrar o escopo, as responsabilidades, as dependências e os critérios de entrega. Você precisa conseguir entender o que estará funcionando quando o projeto for considerado concluído.
Se você já tem um design e quer levar o projeto do Figma para site, me envie o link do arquivo e uma descrição do que precisa funcionar. Com isso, consigo avaliar o trabalho e conversar sobre uma implementação adequada ao projeto.
